Os melhores posts da semana no Gizmodo Brasil

As nossas melhores histórias desta semana envolveram privacidade, guerra e capinhas horríveis de celular. Você perdeu alguma delas? Então aproveite o final deste domingo para conferir:

Canvas Fingerprinting, uma nova ferramenta que provavelmente está te vigiando online

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O estudo “A internet nunca esquece” revelou o canvas fingerprinting, que instrui navegadores web a desenhar uma imagem secreta. Cada computador produz uma imagem diferente e única – como uma impressão digital – que segue você ao navegar pela web. Saiba mais, e como se livrar disso, neste link.

Os detalhes do míssil que provavelmente derrubou o avião da Malaysia Airlines na Ucrânia

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A tragédia do voo MH17 ainda está sem explicação definitiva, mas uma teoria ganhou força desde que o avião caiu: ele teria sido derrubado pelo sistema russo Buk, que consegue disparar mísseis a até 22.000 m de altitude. Confira aqui os detalhes.

Como funciona a “Cúpula de Ferro” de Israel?

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A guerra entre palestinos e israelenses se intensificou este mês, fazendo Israel usar sua Cúpula de Ferro. Mas o que é isso? Trata-se de uma bateria antimísseis, um sistema de defesa aérea contra foguetes disparados ao longo da faixa de Gaza. Saiba mais aqui.

Como o buraco gigante na Sibéria, Rússia, pode ter se formado

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Aquele buraco misterioso que apareceu na Rússia, com 80 m de diâmetro e 60 m de profundidade, deu margem até a teorias da conspiração. Felizmente, agora que cientistas estão estudando o fenômeno, é possível entender melhor o que formou o buraco. Saiba mais aqui.

Se você dobrar um papel ao meio 103 vezes, ele terá a espessura do universo

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É verdade! Confira aqui.

Estes pequenos blocos eletrônicos transformam sua casa em uma smart home

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Os LittleBits reúnem as melhores partes do Lego e Arduino, permitindo montar circuitos eletrônicos com o mínimo de esforço. Agora eles ficaram ainda mais úteis com o CloudBit, um módulo que conecta qualquer coisa à internet – inclusive dispositivos da sua casa. Continue lendo aqui.

10 das capinhas para iPhone mais absurdas que já vimos

Clique na seta ao lado para começar!

Tem capa para fumar cigarro eletrônico, um case com um pônei em 3D (também disponível para a linha Galaxy), e até uma capa em formato de revólver. O HORROR!!! Estão todas aqui.

Peças de Lego vêm surgindo nas areias desta praia por 17 anos

"Hoje em dia o Santo Graal é um polvo ou um dragão", disse Tracey Williams, morador e coletor de peças, à BBC. "Eu só sei de três polvos que foram encontrados, e um deles é meu, que encontrei em uma caverna em Challaborough, Devon. É algo muito competitivo."

Em 1997, um naufrágio despejou 4,8 milhões de peças Lego no mar. Desde então, elas vêm aparecendo em uma praia da Inglaterra – flores de plástico, pequenos dragões de brinquedo, um bloco aqui e ali… Confira as imagens neste link.

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Baidu, o Google da China, está desenvolvendo carros que dirigem sozinhos

Você talvez conheça o Baidu apenas por causa do crapware que eles distribuem no Brasil. Mas a empresa domina o mercado de buscas online na China, e aspira ser o próximo Google. Isso significa até mesmo apostar em carros que dirigem sozinhos.

O Baidu confirmou ao The Next Web que está trabalhando em um “carro altamente autônomo”, que não substitui um motorista humano, mas consegue dirigir sozinho e tomar decisões dependendo da situação do trânsito.

Kai Yu, do Baidu, diz ao TNW:

Este é, na verdade, um assistente inteligente que coleta dados da situação na estrada e, em seguida, opera localmente… Nós não chamamos isso de carro autônomo. Eu acho que um carro deve ajudar as pessoas, não substituir pessoas…

Ainda não há imagens desse carro; os primeiros protótipos devem ser fabricados só em 2015.

O Google, por sua vez, está preparando um carro totalmente autônomo: ele não tem volante, acelerador e nem pedal de freio. Os primeiros 100 protótipos, no entanto, terão esses controles tradicionais.

Esta não é a primeira vez que o Baidu se inspira nas ideias do Google. O Baidu Spark Browser é um navegador web com interface bastante semelhante à do Chrome. O Baidu Yi é um fork do Android que substitui os serviços do Google – mapas, busca etc. – pelos da chinesa. A empresa também lançou um clone do Chromecast, e está até criando um dispositivo semelhante ao Google Glass!

O Baidu também trabalha em uma “bicicleta inteligente” que dirige sozinha. Ela usará sensores para evitar obstáculos, navegar pelo trânsito e até identificar seu dono. A China é o país com mais ciclistas no mundo – eram 551 milhões de bicicletas no final do ano passado, e um terço delas eram elétricas.

A empresa tem um serviço de mapas e dados de localização dos usuários, então isso não deve ser problema ao criar bicicletas e carros autônomos. O Baidu, claro, continua sendo também um enorme site de buscas – o serviço estreou há alguns dias no Brasil. [The Next Web]

Foto por 无忌 王伟/Flickr

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Veja os truques inusitados de gotas d’água em superfícies hidrofóbicas

A National Science Foundation, órgão americano que financia pesquisas científicas, preparou um vídeo com as demonstrações mais bacanas de superfícies hidrofóbicas em ação. Esses materiais apresentam propriedades extremas de repelir a água, e podem moldar nosso futuro.

A NSF explica:

Entender como líquidos interagem com materiais diferentes pode levar a processos e produtos mais eficientes e de custo menor, e pode até mesmo levar a asas de avião impermeáveis ​​ao gelo e janelas autolimpantes.

Superfícies hidrofóbicas são inspiradas na natureza: no vídeo acima, você verá gotas saltando de uma folha de lótus, e de uma asa de borboleta. Cientistas querem reproduzir isso em laboratório, e vêm conseguindo: no ano passado, foi criado um novo material que repele água como nenhum outro.

>>> [Review] NeverWet, o spray mágico que torna tudo à prova d’água

Além de permitirem roupas e calçados que sujem menos, as superfícies hidrofóbicas podem ser úteis até na medicina. Da NSF:

“Imagine que você quer levar gotas de sangue, ou água, ou qualquer líquido para um determinado local”, explica [Constantine] Megaridis. “… o líquido viaja através de uma tira, e acaba se acumulando em um tanque de armazenamento de líquidos na superfície.” O tanque de armazenamento pode conter um agente reativo: uma equipe médica pode utilizar tiras descartáveis em campo para testar amostras de água e ver se têm E. coli, por exemplo.

Enquanto essas aplicações não viram realidade, temos este vídeo para ver gotas de água fazendo loucuras nessas superfícies. [YouTube via NSF]

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Este clipe multifuncional esconde uma caixa de ferramentas no seu bolso ou cabelo

Você provavelmente tem uma caixa de ferramentas em casa, mas levá-la por aí certamente não é tão prático quanto este clipe: ele consegue replicar a funcionalidade de algumas ferramentas, e pode desaparecer no seu bolso – ou até nos seus cabelos.

O clipe Leatherdos, feito de aço inoxidável, serve como chave de fenda nas duas pontas: uma pequena, e uma maior. Também há uma pequena chave Philips plana, para apertar os parafusos minúsculos dos seus óculos, por exemplo – onde a chave de fenda não serviria:

clipe leatherdos (2)

Ele tem uma chave inglesa de 8 mm para rosquear parafusos, e uma borda serrilhada para cortar corda – só espero que ele não corte seu cabelo se você o usar na cabeça…

Este gadget de 6 x 2,4 cm também possui uma régua e até funciona como moeda para liberar carrinhos de supermercado (algo bastante comum no Canadá e Europa).

Esta pode ser a menor multiferramenta que você pode comprar por apenas US$ 10 (com frete grátis para o Brasil), talvez superado apenas pelo cotonete em se tratando de custo X benefício. [Animi Causa]

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Os melhores apps da semana para Windows Phone

Os grandes destaques da semana do Windows Phone foram os lançamentos de Live Lock Screen, que dá um belo upgrade na sua tela de bloqueio, e Uber, para você pegar caronas. Veja estas e outras dicas na nossa lista:

lock live screen

Live Lock Screen (grátis): Ainda em versão beta, a Microsoft colocou seu novo app de telas de bloqueio na loja. O Live Lock Screen vem com seis diferentes layouts de telas de bloqueio dinâmicas, com relógios e notificações diferentes, belas imagens e informações extras. Disponível apenas para Windows Phone 8.1 (instale aqui).


uber windows phone

Uber (grátis): O Uber é um serviço de caronas remuneradas — e como você pode imaginar, a concorrência dele com os táxis é um assunto bastante polêmico. O app para Windows Phone chegou esta semana e permite procurar e chamar carros e fazer pagamentos usando cartão de crédito.


personal food trainer

Personal Food Trainer (R$ 1,99, com teste grátis): O Personal Food Trainer, como o nome sugere, é um app para anotar o que você come e quantas calorias e macronutrientes está consumindo. Também dá para acompanhar a evolução do peso e registrar a quantidade de água ingerida.


classic lines

Classic Lines (R$ 1,99): Classic Lines é um puzzle em que bolinhas surgem no tabuleiro e você tem que agrupar as da mesma cor em linhas verticais, horizontais ou diagonais para elas desaparecerem. O jogo termina quando o tabuleiro está cheio. Boa sorte! Compatível também com Windows Phone 7.5.


class scheduler

Class Scheduler (R$ 1,99): Este é um app para ajudar quem estuda. O Class Scheduler permite registrar horários de aula, tarefas de casa e datas de provas. Disponível também para Windows Phone 7.5.

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Os melhores apps da semana para iPad e iPhone

Uma semana cheia novos games para iPhones e iPads: Apenas um Show e Tartarugas Ninja chegaram aos dispositivos com iOS, além de uma reedição de The King of Fighters ’98. Mas não para por aí. Veja estas e outras dicas na nossa lista:

The King of Fighters ’98 (US$3,99): A SNK lançou mais um título da série The King of Fighters para smartphones e tablets. O game tem vários modos de jogo, incluindo jogar contra um amigo usando apenas um aparelho e controles Bluetooth, para você lembrar as tardes que passava gastando sua mesada em fichas para o fliperama.


The Great Prank War (US$2,99): No mais novo game de Apenas um Show, você deve ajudar Mordecai, Rigby, Musculoso e Saltitão a recuperar o parque, que foi tomado por Gene, o administrador do parque rival, numa viagem ao passado. O jogo é um misto de defesa de torres e aventura, muito divertido e cheio de pegadinhas.


Nutrino

Nutrino (grátis): O Nutrino é um app de nutrição bastante popular. A versão 2.0, lançada essa semana, traz novidades como lista de compras para supermercado, suporte a dietas vegetarianas e metas de peso e saúde.


upword notes

UpWord Notes (grátis): O UpWord Notes é um app de anotações bastante prático, com interface toda baseada em gestos — não é por acaso que ele é chamado por alguns de “Mailbox das notas”. A versão 2.0, lançada essa semana, traz ainda mais gestos e outras funções bacanas, como sincronização com o Evernote.


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Fantastical (US$ 4,99 para iPhone, US$ 9,99 para iPad): A versão 2.1 do ótimo app de agenda Fantastical chegou com boas novidades, como um botão “soneca” para lembretes de eventos e notificações de aniversários. Os preços estão reduzidos por tempo limitado.


Together

Together (US$9,99): O Together é um app para Mac para você manter todas as suas coisas num só lugar. Páginas da web, imagens, vídeos, documentos, tudo pode ser colocado e categorizado no Together. Ele ganhou uma versão para iPad e iPhone esta semana, com sincronização via iCloud com a versão de Mac, para você nunca mais perder suas coisas.


Wiper (grátis): Se você está preocupado com que anda falando para seus amigos, talvez seja hora de testar esse app. O Wiper é um serviço de mensagens com apps para Android e iOS cujo principal diferencial é poder deletar completamente a conversa — e isso inclui removê-la dos servidores.


teenage mutant ninja turtles

Teenage Mutant Ninja Turtles (US$3,99): Acompanhando o novo filme das Tartarugas Ninja, um novo game da franquia chegou apara iOS e Android. Feito pelo mesmo estúdio do elogiado Combo Crew, ele traz a mesma jogabilidade, com golpes disparados por gestos na tela.

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Os melhores apps da semana para Android

A semana do Android teve a chegada de apps bem interessantes, como o Digify e o Atlas Web Browser, e muitos games novos. Veja estas e outras dicas na nossa lista:

atlas web browser

Atlas Web Browser (grátis): Ainda em beta, este navegador é cheio de funções espertas, como um seletor de abas acessível a um deslizar de dedo a partir da borda esquerda, um modo de tela cheia e uma visualização de duas abas ao mesmo tempo. Além de tudo isso, ele já tem uma interface com elementos de Material Design.


Digify (grátis): Compartilhar certos arquivos pode ser problemático — eles podem ser repassados a terceiros ou colocados na nuvem para quem quiser baixar. O Digify tenta resolver isso com uma abordagem parecida com a do Snapchat: os arquivos enviados por ele ficam disponíveis apenas para visualização e são deletados automaticamente depois de um tempo determinado. Claro, ainda dá para tirar um screenshot da tela, mas o Digify pode evitar grandes problemas.


Wiper (grátis): Se você está preocupado com que anda falando para seus amigos, talvez seja hora de testar esse app. O Wiper é um serviço de mensagens com apps para Android e iOS cujo principal diferencial é poder deletar completamente –e isso inclui removê-la dos servidores– a conversa.


Skype (grátis): A versão 5.0 do mensageiro Skype para Android chegou. A principal novidade é a integração com a sua lista de contatos — agora, dá para descobrir quem da sua agenda também usa o Skype e enviar mensagens e fazer ligações usando o aplicativo.


The King of Fighters ’98 (R$ 8,73): A SNK lançou mais um título da série The King of Fighters para smartphones e tablets. O game tem vários modos de jogo, incluindo jogar contra um amigo usando apenas um aparelho e controles Bluetooth, para você lembrar as tardes que passava gastando sua mesada em fichas para o fliperama.




The Great Prank War
(R$ 6,63): No mais novo game de Apenas um Show, você deve ajudar Mordecai, Rigby, Musculoso e Saltitão a recuperar o parque, que foi tomado por Gene, o administrador do parque rival, numa viagem ao passado. O jogo é um misto de defesa de torres e aventura, muito divertido e cheio de pegadinhas.


teenage mutant ninja turtles

As Tartarugas Ninja (R$ 8,85): Acompanhando o novo filme das Tartarugas Ninja, um novo game da franquia chegou apara iOS e Android. Feito pelo mesmo estúdio do elogiado Combo Crew, ele traz a mesma jogabilidade, com golpes disparados por gestos na tela.

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A história da invisibilidade e o futuro da camuflagem

Em 2004, o exército dos EUA cometeu um erro gigantesco: passou a usar uma nova camuflagem digital chamada UCP (sigla para Padrão Universal de Camuflagem em inglês), um padrão único projetado para funcionar em qualquer ambiente. Mas alguns meses depois, conforme a guerra no Iraque se intensificava a cada dia, os soldados foram descobrindo a verdade: o UCP deveria se adaptar a todas as situações, mas não funcionava em nenhuma delas.

>>> A camuflagem pixelada do Exército americano é um fracasso de US$ 5 bilhões

Infelizmente, a corrida para encontrar um padrão que realmente funcione — uma corrida conhecida oficialmente como Esforços de Aperfeiçoamento da Camuflagem do Exército — vem sendo um desastre. Centenas de designers criaram novos padrões de camuflagem para a competição, e foram “peneirados” até restarem apenas quatro finalistas. Após quatro anos (e bilhões de dólares), o exército parecia pronto para escolher um vencedor.

historia camuflagem (2)Os quatro finalistas selecionados pelo exército americano: padrões da Brookwood, Crye Precision, Kryptek e ADS Inc. com Guy Cramer.

Ainda assim os atrasos continuavam. O último rumor era que todo o projeto para Aprimoramento de Camuflagem estava prestes a ser cancelado. Diziam que o exército poderia simplesmente adotar a MultiCam, uma camuflagem digital feita pela empresa Crye Precision, usada provisoriamente desde a revelação que o UCP não funciona.

Mas isso ainda não aconteceu — e a história foi ficando cada vez mais estranha. Em dezembro, o congresso americano apresentou um projeto que impediria totalmente o exército de apresentar um novo padrão este ano. Até 2018, entretanto, a proposta exigiria que todo o Departamento de Defesa adotasse o mesmo padrão. Políticos, ao que parece, cansaram de gastar dinheiro em um problema sem fim. Em resposta ao meu pedido por um comentário do exército, o porta-voz William Layer pôde me dizer apenas o seguinte: “o exército está considerando diversas opções e levando em conta as recentes restrições legislativas”.

Entre acusações de incompetência e excesso de burocracia, também há o fato que a tecnologia de guerra está evoluindo rapidamente, e ninguém consegue prever muito bem como a camuflagem precisará se adaptar a longo prazo. O campo da ciência militar que gira em torno de como nossos olhos interpretam (ou deixam de interpretar) informações visuais ainda é bem novo. E jogar bilhões de dólares na cara do problema não teve o efeito desejado.

A história da invisibilidade

A camuflagem atual tem uma história relativamente recente. No nascimento das guerras modernas, no século XVIII - quando surgiram os rifles de longo alcance – o conceito de camuflagem incluía se vestir de verde-floresta ou cinza-campo. Na Primeira Guerra Mundial, as tropas experimentavam a “camuflagem dazzle“, que tornava difícil medir com instrumentos a proximidade de uma embarcação à distância. Logo a técnica passou a ser usada em humanos.

historia camuflagem (3)1917: um soldado na Primeira Guerra Mundial usando camuflagem primitiva. Imagem via National Archives/Department of Defense.

No início da Segunda Guerra Mundial, surgiram as reconhecíveis manchas em forma de rins das camuflagens mais modernas — e dali as coisas evoluíram rapidamente. No final da guerra, pintores modernos ajudaram a desenvolver padrões ópticos para enganar os olhos, pegando ideias emprestadas do cubismo e da op art (arte óptica).

>>> A história esquecida de como a arte moderna ajudou na Segunda Guerra Mundial

historia camuflagem (4)Um soldado aliado durante a Segunda Guerra Mundial. Imagem: gunbarrel/US Military Forum.

No final da década de 1970, contudo, o exército americano passou a usar um novo tipo de padrão, pouco popular, chamado de “textura dupla”, uma versão primitiva da camuflagem “digital” que conhecemos hoje. A textura dupla usava quadrados perfeitos de cor para imitar dois padrões de uma vez só: um menor e um maior, efetivos a várias distâncias.

Era um precursor da camuflagem digital, mas só na década de 90 nasceu a versão desenvolvida em computadores – e ressurgiu o estudo científico dessa área. Um oficial do exército chamado Timothy O’Neill, “o avô da camuflagem moderna“, foi um pioneiro com seus pequenos quadrados de cor, capazes de enganar os olhos para que vissem um soldado ou caminhão apenas como parte do plano de fundo.

historia camuflagem (5)Camuflagem de textura dupla dos anos 1970 e 1980. Imagem: United Dynamics.

Por que pixels fazem um trabalho melhor que as tradicionais manchas? Porque pixels são melhores em imitar padrões fractais, que nossos olhos interpretam como ruído. Sem se parecer com a “natureza”, a camuflagem digital não nos dá nenhum ponto para fixar a visão.

Mas o olho tem uma anatomia complexa, e é quase impossível recriar o mesmo truque óptico para milhões e milhões de soldados em um número infinito de ambientes. Por isso, surgiu uma indústria de empreiteiros e engenheiros independentes, cada um trabalhando em sua própria variante da camuflagem digital — incluindo os quatro finalistas dos Esforços de Aperfeiçoamento da Camuflagem.

historia camuflagem (6)Encontre os US4CES: imagem mostra o finalista da ADS Inc.’s e Guy Cramer na competição de camuflagem. Imagem: Hyperstealth.

Algumas dessas empresas não quiseram comentar o assunto quando entrei em contato com elas, aparentemente porque o Exército ainda vai anunciar o vencedor do concurso. Mas uma empresa em particular — a Hyperstealth Biotechnology Corp, designer da camuflagem para as forças armadas da Jordânia e do Afeganistão e uma das quatro finalistas dos Esforços de Aperfeiçoamento da Camuflagem — foi gentil o bastante para responder muitas das minhas perguntas sobre o design de camuflagem, e as tentativas do exército de aprimorá-la.

Enganando os olhos

Guy Cramer é CEO da Hyperstealth Biotechnology Corp. Ele me explicou que a camuflagem digital tenta usar ilusões de óptica avançadas para confundir o cérebro e fazê-lo não notar o alvo, em vez de simplesmente “se misturar” à paisagem ao redor. “Você não pode simplesmente passar tinta em um muro e chamar isso de camuflagem”, ele diz. “Nós não necessariamente tentamos criar padrões aleatórios. Nós queremos que o cérebro interprete padrões como parte do plano de fundo”.

Alcançar esse tipo de ilusão de óptica é difícil. Isso envolve ideias sobre a ciência das cores, a anatomia do olho humano e até mesmo a logística da criação de padrões - e ainda assim não é algo perfeito. Vamos pegar uma das maiores deficiências do UCP, o padrão digital fracassado do exército: a escala dos padrões pixelados.

historia camuflagem (7)O fracassado padrão universal de camuflagem do exército, ou UCP.

Toda camuflagem digital tem duas camadas: o micropadrão (os pixels) e o macropadrão (as formas criadas pelos pixels). Se as manchas macro forem muito pequenas, como são no UCP, isso ativa um fenômeno óptico chamado isoluminância, interpretando um padrão de camuflagem cuidadosamente construído como uma superfície de cor clara.

Em outras palavras, isso torna mais fácil vê-lo à distância, exatamente o oposto do que se espera da camuflagem. Era um dos maiores problemas no UCP, como você pode ver:

historia camuflagem (8)Um exemplo de isoluminância no site da Hyperstealth.

E quanto à cor? Em 2004, quando o exército apresentou o UCP, foi revelado que não havia mais a cor preta na camuflagem - ela não ocorre na natureza, explicavam os oficiais. Mas Cramer discorda completamente: preto e marrom são essenciais para imitar sombras. O padrão finalista de Cramer para os Esforços de Aperfeiçoamento inclui algo chamado “luminância limite”, uma fina linha preta ao longo dos macro e micropadrões, que enganam os olhos a verem formas 3D:

historia camuflagem (9)A chamada “luminância limite” no padrão de Cramer e ADS Inc.’s.

“Se você não tiver pelo menos uma porcentagem disso na sua camuflagem, você vai se destacar e parecer bem 2D, porque não terá o efeito de profundidade”, ele explica. “Essa foi uma lição que aprendemos da forma difícil”.

Economias de escala

Há mais de meio milhão de soldados no exército americano, então fabricar uniformes para todos eles (pelo custo mais baixo!) também é um problema. É importante que a camuflagem “quebre” os contornos do corpo do soldado em pontos cruciais, como o pulso, o joelho e o tornozelo.

historia camuflagem (10)US4CES fotografado por Predator BDU.

Tal qual as listras de um tigre, que correm perpendiculares a seus membros, essas “quebras” visuais ajudam a disfarçar a anatomia de um alvo humano. Mas quando um rolo de tecido camuflado é cortado em milhões de uniformes, pode ser difícil prever onde essas quebras irão terminar.

historia camuflagem (11)

Da mesma forma, nossos cérebros são muito bons em reconhecer padrões — se nós vemos a mesma forma duas vezes, nós ficamos instantaneamente alertas de que algo está acontecendo. Então é muito importante para um uniforme que os lados direito e esquerdo nunca combinem. “Muitos padrões têm esse problema”, diz Cramer. “O cérebro vai ver uma anomalia no lado direito do peito e, caso veja um padrão muito similar no lado esquerdo do peito, ele liga os pontos imediatamente e entende: estou vendo a parte de cima de um corpo humano“.

O sucesso de Cramer vem, em parte, de sua habilidade de projetar padrões que cumprem todos esses critérios complexos. Ele é um pioneiro do design de camuflagem com algoritmos: em vez de confiar em seu próprio cérebro para criar padrões, ele escreve programas que geram fractais verdadeiramente geométricos. Fractais são padrões matemáticos que se repetem em qualquer escala.

historia camuflagem (12)Geometria autossimilar encontrada no Google Earth pelo professor Paul Bourk.

Sem uma referência de escala, nossos olhos não conseguem diferenciar entre o fractal e o plano de fundo.

Esse é o motivo dos padrões de Cramer serem usados em tudo, de armas a helicópteros (sem mencionar os 2,5 milhões de uniformes): por não terem escala, eles escondem objetos pequenos (como humanos) ou grandes (como edifícios).

Testes e mais testes

A arte de testar esses padrões é quase mais importante do que o padrão em si, e é um processo que Cramer conhece bem, porque ele ajuda o exército americano nessa tarefa há quase uma década. O processo envolve questionar os melhores atiradores de elite do exército usando milhares de fotografias.

U.S. Soldiers Explore Abandoned Shopping Mall In East BaghdadSoldados dos EUA exploram shopping abandonado a leste de Bagdá. Imagem: Getty/Chris Hondros.

Na Academia Militar dos EUA, em West Point, as cobaias (que incluem atiradores de elite com visão mais-que-perfeita) vestem um equipamento de rastreamento ocular e são conduzidos a um anfiteatro imersivo, onde veem inúmeros slides de soldados camuflados em diferentes ambientes. Há uma grande variedade de imagens, de qualquer ambiente e clima concebíveis, de desertos a pântanos.

Além disso, eles também avaliam o uniforme em distâncias diferentes: todo padrão deve funcionar tão bem de perto quanto de longe. De acordo com a Soldier Systems, o projeto Esforços de Aperfeiçoamento da Camuflagem tinha 900 soldados testando cada padrão em 45 ambientes diferentes, resultando em 120 mil dados diferentes.

Parte crucial do teste é a rapidez em identificar uma anomalia visual, e a rapidez em descobrir onde está o corpo do soldado. Aquele milissegundo de decisão pode ter um grande impacto em campo, onde um atirador de elite pode identificar um alvo entre 12 e 30 segundos.

O futuro da camuflagem

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Em agosto de 2013, uma equipe das Forças Especiais foi inesperadamente retirada de uma missão na Líbia, depois de grupos terroristas roubarem dezenas de armas e equipamentos dos caminhões do exército americano. O que isso tem a ver com camuflagem? Na verdade, tudo.

Os adversários levaram um dispositivo que poderia causar tanto dano quanto as metralhadoras e lasers que eles também roubaram: um tipo especial de óculos de visão noturna do exército americano, que detectam ondas curtas de luz infravermelha, o espectro SWIR. Esses óculos custam US$ 45 mil por unidade, e permitem que soldados vejam o comprimento de onda de 1 μm, onde as cores se misturam em uma massa branca.

Em outras palavras, eles tornam a camuflagem completamente inútil. Os únicos pares no mundo estavam nas mãos do exército americano, até serem roubados. “Isso nunca tinha sido um problema até agora”, explica Cramer. “Agora, você tem inimigos andando por aí com a mesma tecnologia”.

Isso ajuda a explicar o maior problema da camuflagem: à medida que os inimigos mudam, e conforme cresce o financiamento para tecnologias militares, o exército americano não pode mais ter certeza de que outras forças militares não os verão de longe.

Nós avançamos bastante desde a camuflagem cinza-pedra ou verde-campo do século XIX, e também desde os anos 1960 e 70, quando um único padrão durava por muitos anos e muitos conflitos. A guerra moderna está mudando a uma velocidade dramática e, mesmo que o Departamento de Defesa americano escolha um novo padrão este ano ou no próximo, não vai demorar até que sejam forçados a reavaliá-lo.

historia camuflagem (15)Conceito da Hyperstealth para o tecido “Smart Camo”, que não pode ser visto. Imagem: Wired UK/Hyperstealth.

É quase como se o exército não estivesse olhando para um futuro distante o suficiente, quando a impressão 3D e materiais inteligentes poderão gerar novos padrões e texturas que variam junto às condições do ambiente.

A Hyperstealth, por exemplo, está trabalhando no Quantum Stealth, um projeto de camuflagem por meio da flexão da luz, que vem sendo chamado de “capa da invisibilidade”. Um projeto que, infelizmente, seus criadores ainda não comentam em detalhes publicamente.

Foto inicial: fuzileiros navais dos EUA patrulham parte remota da província de Helmand, Afeganistão. Scott Olson/AP.

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A história da invisibilidade e o futuro da camuflagem

Em 2004, o exército dos EUA cometeu um erro gigantesco: passou a usar uma nova camuflagem digital chamada UCP (sigla para Padrão Universal de Camuflagem em inglês), um padrão único projetado para funcionar em qualquer ambiente. Mas alguns meses depois, conforme a guerra no Iraque se intensificava a cada dia, os soldados foram descobrindo a verdade: o UCP deveria se adaptar a todas as situações, mas não funcionava em nenhuma delas.

>>> A camuflagem pixelada do Exército americano é um fracasso de US$ 5 bilhões

Infelizmente, a corrida para encontrar um padrão que realmente funcione — uma corrida conhecida oficialmente como Esforços de Aperfeiçoamento da Camuflagem do Exército — vem sendo um desastre. Centenas de designers criaram novos padrões de camuflagem para a competição, e foram “peneirados” até restarem apenas quatro finalistas. Após quatro anos (e milhões de dólares), o exército parecia pronto para escolher um vencedor.

historia camuflagem (2)Os quatro finalistas selecionados pelo exército americano: padrões da Brookwood, Crye Precision, Kryptek e ADS Inc. com Guy Cramer.

Ainda assim os atrasos continuavam. O último rumor era que todo o projeto para Aprimoramento de Camuflagem estava prestes a ser cancelado. Diziam que o exército poderia simplesmente adotar a MultiCam, uma camuflagem digital feita pela empresa Crye Precision, usada provisoriamente desde a revelação que o UCP não funciona.

Mas isso ainda não aconteceu — e a história foi ficando cada vez mais estranha. Em dezembro, o congresso americano apresentou um projeto que impediria totalmente o exército de apresentar um novo padrão este ano. Até 2018, entretanto, a proposta exigiria que todo o Departamento de Defesa adotasse o mesmo padrão. Políticos, ao que parece, cansaram de gastar dinheiro em um problema sem fim. Em resposta ao meu pedido por um comentário do exército, o porta-voz William Layer pôde me dizer apenas o seguinte: “o exército está considerando diversas opções e levando em conta as recentes restrições legislativas”.

Entre acusações de incompetência e excesso de burocracia, também há o fato que a tecnologia de guerra está evoluindo rapidamente, e ninguém consegue prever muito bem como a camuflagem precisará se adaptar a longo prazo. O campo da ciência militar que gira em torno de como nossos olhos interpretam (ou deixam de interpretar) informações visuais ainda é bem novo. E jogar bilhões de dólares na cara do problema não teve o efeito desejado.

A história da invisibilidade

A camuflagem atual tem uma história relativamente recente. No nascimento das guerras modernas, no século XVIII - quando surgiram os rifles de longo alcance – o conceito de camuflagem incluía se vestir de verde-floresta ou cinza-campo. Na Primeira Guerra Mundial, as tropas experimentavam a “camuflagem dazzle“, que tornava difícil medir com instrumentos a proximidade de uma embarcação à distância. Logo a técnica passou a ser usada em humanos.

historia camuflagem (3)1917: um soldado na Primeira Guerra Mundial usando camuflagem primitiva. Imagem via National Archives/Department of Defense.

No início da Segunda Guerra Mundial, surgiram as reconhecíveis manchas em forma de rins das camuflagens mais modernas — e dali as coisas evoluíram rapidamente. No final da guerra, pintores modernos ajudaram a desenvolver padrões ópticos para enganar os olhos, pegando ideias emprestadas do cubismo e da op art (arte óptica).

>>> A história esquecida de como a arte moderna ajudou na Segunda Guerra Mundial

historia camuflagem (4)Um soldado aliado durante a Segunda Guerra Mundial. Imagem: gunbarrel/US Military Forum.

No final da década de 1970, contudo, o exército americano passou a usar um novo tipo de padrão, pouco popular, chamado de “textura dupla”, uma versão primitiva da camuflagem “digital” que conhecemos hoje. A textura dupla usava quadrados perfeitos de cor para imitar dois padrões de uma vez só: um menor e um maior, efetivos a várias distâncias.

Era um precursor da camuflagem digital, mas só na década de 90 nasceu a versão desenvolvida em computadores – e ressurgiu o estudo científico dessa área. Um oficial do exército chamado Timothy O’Neill, “o avô da camuflagem moderna“, foi um pioneiro com seus pequenos quadrados de cor, capazes de enganar os olhos para que vissem um soldado ou caminhão apenas como parte do plano de fundo.

historia camuflagem (5)Camuflagem de textura dupla dos anos 1970 e 1980. Imagem: United Dynamics.

Por que pixels fazem um trabalho melhor que as tradicionais manchas? Porque pixels são melhores em imitar padrões fractais, que nossos olhos interpretam como ruído. Sem se parecer com a “natureza”, a camuflagem digital não nos dá nenhum ponto para fixar a visão.

Mas o olho tem uma anatomia complexa, e é quase impossível recriar o mesmo truque óptico para milhões e milhões de soldados em um número infinito de ambientes. Por isso, surgiu uma indústria de empreiteiros e engenheiros independentes, cada um trabalhando em sua própria variante da camuflagem digital — incluindo os quatro finalistas dos Esforços de Aperfeiçoamento da Camuflagem.

historia camuflagem (6)Encontre os US4CES: imagem mostra o finalista da ADS Inc.’s e Guy Cramer na competição de camuflagem. Imagem: Hyperstealth.

Algumas dessas empresas não quiseram comentar o assunto quando entrei em contato com elas, aparentemente porque o Exército ainda vai anunciar o vencedor do concurso. Mas uma empresa em particular — a Hyperstealth Biotechnology Corp, designer da camuflagem para as forças armadas da Jordânia e do Afeganistão e uma das quatro finalistas dos Esforços de Aperfeiçoamento da Camuflagem — foi gentil o bastante para responder muitas das minhas perguntas sobre o design de camuflagem, e as tentativas do exército de aprimorá-la.

Enganando os olhos

Guy Cramer é CEO da Hyperstealth Biotechnology Corp. Ele me explicou que a camuflagem digital tenta usar ilusões de óptica avançadas para confundir o cérebro e fazê-lo não notar o alvo, em vez de simplesmente “se misturar” à paisagem ao redor. “Você não pode simplesmente passar tinta em um muro e chamar isso de camuflagem”, ele diz. “Nós não necessariamente tentamos criar padrões aleatórios. Nós queremos que o cérebro interprete padrões como parte do plano de fundo”.

Alcançar esse tipo de ilusão de óptica é difícil. Isso envolve ideias sobre a ciência das cores, a anatomia do olho humano e até mesmo a logística da criação de padrões - e ainda assim não é algo perfeito. Vamos pegar uma das maiores deficiências do UCP, o padrão digital fracassado do exército: a escala dos padrões pixelados.

historia camuflagem (7)O fracassado padrão universal de camuflagem do exército, ou UCP.

Toda camuflagem digital tem duas camadas: o micropadrão (os pixels) e o macropadrão (as formas criadas pelos pixels). Se as manchas macro forem muito pequenas, como são no UCP, isso ativa um fenômeno óptico chamado isoluminância, interpretando um padrão de camuflagem cuidadosamente construído como uma superfície de cor clara.

Em outras palavras, isso torna mais fácil vê-lo à distância, exatamente o oposto do que se espera da camuflagem. Era um dos maiores problemas no UCP, como você pode ver:

historia camuflagem (8)Um exemplo de isoluminância no site da Hyperstealth.

E quanto à cor? Em 2004, quando o exército apresentou o UCP, foi revelado que não havia mais a cor preta na camuflagem - ela não ocorre na natureza, explicavam os oficiais. Mas Cramer discorda completamente: preto e marrom são essenciais para imitar sombras. O padrão finalista de Cramer para os Esforços de Aperfeiçoamento inclui algo chamado “luminância limite”, uma fina linha preta ao longo dos macro e micropadrões, que enganam os olhos a verem formas 3D:

historia camuflagem (9)A chamada “luminância limite” no padrão de Cramer e ADS Inc.’s.

“Se você não tiver pelo menos uma porcentagem disso na sua camuflagem, você vai se destacar e parecer bem 2D, porque não terá o efeito de profundidade”, ele explica. “Essa foi uma lição que aprendemos da forma difícil”.

Economias de escala

Há mais de meio milhão de soldados no exército americano, então fabricar uniformes para todos eles (pelo custo mais baixo!) também é um problema. É importante que a camuflagem “quebre” os contornos do corpo do soldado em pontos cruciais, como o pulso, o joelho e o tornozelo.

historia camuflagem (10)US4CES fotografado por Predator BDU.

Tal qual as listras de um tigre, que correm perpendiculares a seus membros, essas “quebras” visuais ajudam a disfarçar a anatomia de um alvo humano. Mas quando um rolo de tecido camuflado é cortado em milhões de uniformes, pode ser difícil prever onde essas quebras irão terminar.

historia camuflagem (11)

Da mesma forma, nossos cérebros são muito bons em reconhecer padrões — se nós vemos a mesma forma duas vezes, nós ficamos instantaneamente alertas de que algo está acontecendo. Então é muito importante para um uniforme que os lados direito e esquerdo nunca combinem. “Muitos padrões têm esse problema”, diz Cramer. “O cérebro vai ver uma anomalia no lado direito do peito e, caso veja um padrão muito similar no lado esquerdo do peito, ele liga os pontos imediatamente e entende: estou vendo a parte de cima de um corpo humano“.

O sucesso de Cramer vem, em parte, de sua habilidade de projetar padrões que cumprem todos esses critérios complexos. Ele é um pioneiro do design de camuflagem com algoritmos: em vez de confiar em seu próprio cérebro para criar padrões, ele escreve programas que geram fractais verdadeiramente geométricos. Fractais são padrões matemáticos que se repetem em qualquer escala.

historia camuflagem (12)Geometria autossimilar encontrada no Google Earth pelo professor Paul Bourk.

Sem uma referência de escala, nossos olhos não conseguem diferenciar entre o fractal e o plano de fundo.

Esse é o motivo dos padrões de Cramer serem usados em tudo, de armas a helicópteros (sem mencionar os 2,5 milhões de uniformes): por não terem escala, eles escondem objetos pequenos (como humanos) ou grandes (como edifícios).

Testes e mais testes

A arte de testar esses padrões é quase mais importante do que o padrão em si, e é um processo que Cramer conhece bem, porque ele ajuda o exército americano nessa tarefa há quase uma década. O processo envolve questionar os melhores atiradores de elite do exército usando milhares de fotografias.

U.S. Soldiers Explore Abandoned Shopping Mall In East BaghdadSoldados dos EUA exploram shopping abandonado a leste de Bagdá. Imagem: Getty/Chris Hondros.

Na Academia Militar dos EUA, em West Point, as cobaias (que incluem atiradores de elite com visão mais-que-perfeita) vestem um equipamento de rastreamento ocular e são conduzidos a um anfiteatro imersivo, onde veem inúmeros slides de soldados camuflados em diferentes ambientes. Há uma grande variedade de imagens, de qualquer ambiente e clima concebíveis, de desertos a pântanos.

Além disso, eles também avaliam o uniforme em distâncias diferentes: todo padrão deve funcionar tão bem de perto quanto de longe. De acordo com a Soldier Systems, o projeto Esforços de Aperfeiçoamento da Camuflagem tinha 900 soldados testando cada padrão em 45 ambientes diferentes, resultando em 120 mil dados diferentes.

Parte crucial do teste é a rapidez em identificar uma anomalia visual, e a rapidez em descobrir onde está o corpo do soldado. Aquele milissegundo de decisão pode ter um grande impacto em campo, onde um atirador de elite pode identificar um alvo entre 12 e 30 segundos.

O futuro da camuflagem

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Em agosto de 2013, uma equipe das Forças Especiais foi inesperadamente retirada de uma missão na Líbia, depois de grupos terroristas roubarem dezenas de armas e equipamentos dos caminhões do exército americano. O que isso tem a ver com camuflagem? Na verdade, tudo.

Os adversários levaram um dispositivo que poderia causar tanto dano quanto as metralhadoras e lasers que eles também roubaram: um tipo especial de óculos de visão noturna do exército americano, que detectam ondas curtas de luz infravermelha, o espectro SWIR. Esses óculos custam US$ 45 mil por unidade, e permitem que soldados vejam o comprimento de onda de 1 μm, onde as cores se misturam em uma massa branca.

Em outras palavras, eles tornam a camuflagem completamente inútil. Os únicos pares no mundo estavam nas mãos do exército americano, até serem roubados. “Isso nunca tinha sido um problema até agora”, explica Cramer. “Agora, você tem inimigos andando por aí com a mesma tecnologia”.

Isso ajuda a explicar o maior problema da camuflagem: à medida que os inimigos mudam, e conforme cresce o financiamento para tecnologias militares, o exército americano não pode mais ter certeza de que outras forças militares não os verão de longe.

Nós avançamos bastante desde a camuflagem cinza-pedra ou verde-campo do século XIX, e também desde os anos 1960 e 70, quando um único padrão durava por muitos anos e muitos conflitos. A guerra moderna está mudando a uma velocidade dramática e, mesmo que o Departamento de Defesa americano escolha um novo padrão este ano ou no próximo, não vai demorar até que sejam forçados a reavaliá-lo.

historia camuflagem (15)Conceito da Hyperstealth para o tecido “Smart Camo”, que não pode ser visto. Imagem: Wired UK/Hyperstealth.

É quase como se o exército não estivesse olhando para um futuro distante o suficiente, quando a impressão 3D e materiais inteligentes poderão gerar novos padrões e texturas que variam junto às condições do ambiente.

A Hyperstealth, por exemplo, está trabalhando no Quantum Stealth, um projeto de camuflagem por meio da flexão da luz, que vem sendo chamado de “capa da invisibilidade”. Um projeto que, infelizmente, seus criadores ainda não comentam em detalhes publicamente.

Foto inicial: fuzileiros navais dos EUA patrulham parte remota da província de Helmand, Afeganistão. Scott Olson/AP.

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Por que as URLs chinesas usam números em vez de letras?

Se, em alguma de suas inúmeras visitas à web, você se deparou com um site chinês, talvez tenha notado que eles frequentemente usam números em vez de letras na URL. Por exemplo, 4399.com é um site de jogos, 92.com lida com troca de carros e 12306.cn vende passagens de trem. Por quê?

Um artigo da New Republic explica o motivo: basicamente, para os chineses, números são mais fáceis de memorizar do que letras latinas.

Para um falante nativo do inglês, lembrar uma longa sequência de números pode parecer mais difícil do que memorizar uma palavra. Mas isso só acontece porque você entende a palavra. Para muitos chineses, números são mais fáceis de lembrar do que caracteres latinos.

Claro, crianças chinesas aprendem o sistema pinyin, que usa o alfabeto romano para soletrar palavras em mandarim – por exemplo, a escrita fonética de “internet”, 网络, é “wangluo”. E sim, algarismos arábicos (1-2-3) são tecnicamente tão importados do estrangeiro quanto o alfabeto romano (A-B-C).

Mas a maioria dos chineses estão mais familiarizados com números do que com letras, especialmente os que não fizeram faculdade. Para muitos, “hotmail.com” parece tão misterioso quanto o alfabeto cirílico deve ser para você.

As sequências de números também não são aleatórias: elas frequentemente têm a ver com o serviço oferecido pelo site, ou atuam como homófonas de outras palavras. Por exemplo, a companhia de internet NetEase usa 163.com, que é uma lembrança dos dias de internet discada, quando os usuários de internet na China tinham que discar 163 para ficarem online.

Enquanto isso, o Alibaba tem o site de e-commerce 1688.com, que em chinês soa como “io-liu-ba-ba” quando dito em voz alta. E isso vai além porque, na língua chinesa, os números têm som parecido com outras palavras. Do Quora:

O número 5 em chinês, pronunciado “wu”, soa como a palavra para “eu”… O número 1 pode ser pronunciado “yao”, que é quase um homófono… da palavra “querer”; de modo que 51, ou “wuyao”, soa como “eu quero”. Daí a sua popularidade em URLs de sites como 51.com e 51job.com (um site de emprego, naturalmente). O número 6 é pronunciado “liu” e soa como a palavra para “fluxo” (ou “streaming”), assim o site 56.com é um site de compartilhamento de vídeo.

No Quora, também há uma tabela com os quase-homófonos de cada número:

0 - você
1 – querer/vai (indicador de futuro)
2 - amar
4 - morto
5 - eu
6 - com sucesso, com sorte
7 - esposa
8 - ganhar dinheiro, ficar rico
9 – (por) muito tempo

Por exemplo, temos o site 520.cn (eu amo você) que vende joias; e o site 518.cn (eu vou ficar rico) de uma loteria. Até mesmo o 1688.com, do Alibaba, soa como “vou ganhar dinheiro com sucesso” – o site vende produtos de uma empresa para outra na China.

Mas vale notar: nem sempre os números remetem a um significado – como dissemos antes, eles são usados na URL porque são mais fáceis de memorizar. Saiba mais aqui: [New Republic]

Foto por Chris Dlugosz/Flickr

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